Home Data de criação : 07/10/07 Última atualização : 09/11/22 22:36 / 43 Artigos publicados
 

BEZERRA DE MENEZES - médico, político e espírita  escrito em domingo 08 março 2009 22:45

 

 

 

                                      Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti nasceu em 29 de agosto de 1831, em Riacho de Sangue, no Ceará. Filho de Antonio Bezerra de Menezes e Fabiana de Jesus Maria Bezerra foi criado junto com seus três irmãos, dentro dos preceitos da Igreja Católica.

                                      Desde criança, Bezerra de Menezes demonstrava possuir uma inteligência brilhante, e em virtude dos seus dotes intelectuais, substitui, já aos 11 anos de idade, seu professor de latim na escola onde estudava.

                                      Decidido a dedicar-se à medicina, Bezerra muda-se para o Rio de Janeiro, em 1851, aos 19 anos, em pleno reinado do Imperador D. Pedro II, e custeia seus estudos dando aulas particulares.

                                      No filme Bezerra de Menezes, O diário de um Espírito evidencia=se uma cena na qual Bezerra em seu quarto de pensão, preocupado com os recursos financeiros para pagar o quarto onde estava, e outras despesas, recebe a visita de um “estudante”, que lhe propõe, que ele lhe ministrasse aulas particulares de matemática.

                                      Bezerra de Menezes aceita a tarefa, solicitando ao visitante o tempo de uma semana, pois precisava preparar-se para ensinar-lhe aquela matéria. O “aluno” insiste em pagar adiantado, e vai embora, nunca mais retornando. O acontecimento demonstra o amparo do Plano espiritual ao futuro apóstolo do espiritismo, para que ele prosseguisse sua missão, apesar das dificuldades.

                                      Em 1852, torna-se auxiliar do cirurgião Manoel Pereira de Carvalho, no Hospital da Santa Casa de Misericórdia, e 4 anos mais tarde, defende sua tese de doutorado na presença do Imperador D. Pedro II, entre outros, com o tema Diagnóstico do Cancro, sendo laureado com a nota máxima.

                                      Casa-se com Maria Cândida de Lacerda, em 1858, com quem teve dois filhos, entrando neste mesmo ano para o Corpo de Saúde do Exército, assumindo o posto de segundo cirurgião-tenente.

                                      Movido pela vocação de servir ao próximo, Bezerra de Menezes candidata-se, no ano de 1860, ao cargo de vereador da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, no que é eleito em 1861, pelo Partido Liberal.

                                      Dotado de elevado gabarito ético-moral, Bezerra de Menezes renuncia ao soldo militar(salário), quando eleito para sua legislatura como vereador, demonstrando sua vocação natural para o bem.

                                      A morte da esposa Maria Cândida, no ano de 1863, provoca-lhe imenso abalo emocional, levando-o a um estado de prostração constante, um desânimo que lhe corroia a alma.

                                      Mesmo sob o impacto da morte da mulher, é reeleito vereador, em 1864, sendo nomeado para exercer a presidência interina da Câmara Municipal da Corte. Entretanto, suas angústias interiores,, a busca por respostas aos verdadeiros enigmas da existência, esbatiam seu espírito curioso, perscrutador.

                                      Recebe um exemplar da bíblia de um colega médico, no mesmo ano  da morte da sua companheira, lendo-a continuamente até o fim.A leitura do livro religioso propiciou-lhe consolo, mas, as perguntas sobre os mistérios da vida, persistiam.

                                      Corria o ano de 1875, e pelas mãos de um amigo, Joaquim Carlos Travassos tradutor do Livro dos Espíritos, recebe um exemplar do mesmo, Bezerra declararia mais tarde: “à medida que lia o livro, não encontrava nada que fosse novo para meu espírito, e, entretanto, tudo aquilo era novo para mim”.

                                      Participando da vida política da Corte de forma intensa, dinâmica, é eleito Deputado geral pelo Rio de Janeiro, no ano de 1867. Ocupa o cargo por dois anos, quando interrompe, temporariamente sua vida política, dedicando-se à medicina.

                                      Abolicionista convicto, ferrenho defensor dos direitos dos negros, publica  no ano de 1869 um estudo intitulado: A Escravidão no Brasil e as Medidas que Convém Tomar para Extingui-la sem Danos para a Nação.  

                                      Retorna à política em 1873, retomando suas funções de vereador, sendo empossado em 1878, Presidente efetivo da Câmara Municipal da Corte. Volta a ocupar o cargo de Deputado geral, exercendo-o até o ano de 1885. Criou nesse período a estrada de ferro Macaé e Campos.

                                      Embora estudasse o Espiritismo, Bezerra de Menezes não possuía qualquer comprovação experimental, quanto à realidade dos fenômenos mediúnicos. Necessitava, sabia ele, de uma prova indiscutível, quanto à sobrevivência do espírito após a morte.

                                      Sofrendo de dispepsia nervosa, resistente aos tratamentos médicos convencionais, curva-se, impotente, à necessidade de utilizar-se da “medicina espiritual”, ou melhor falando do receituário mediúnico, do qual recebera auspiciosas notícias.

                                      Para evitar ser vítima de qualquer fraude na obtenção de um tratamento espiritual, à sua enfermidade, combina com um amigo, também médico, o Dr. Maia de Lacerda, que fizesse no meu lugar, uma consulta ao médium receitista João Gonçalves do Nascimento.

                                      O amigo Lacerda entrega-lhe o resultado da consulta, e quando lê o diagnóstico elaborado de forma tão precisa, em todos os sentidos, fica convencido definitivamente dos postulados espíritas, seguindo à risca o tratamento indicado. Advém a cura daquela doença, pouco tempo após seguir as instruções dos espíritos.

                                      Bezerra de Menezes desliga-se da política no ano de 1885, deixando um longo trabalho em prol dos escravos, da mulher, do meio ambiente, da saúde pública, e do servidor público, entre outros. Assim mostram os seus discursos, constantes em Discursos Parlamentares Bezerra de Menezes, editado pela Câmara dos Deputados.

                                      Colaborou como articulista no Jornal do Brasil e na A Gazeta de Notícias. Escreveu também para o jornal O País, de maior circulação na época, discorrendo sobre os temas mais variados, tais como a existência de Deus, os sonhos, a imortalidade da alma, e muitos outros, para o público em geral. Esses artigos estão reunidos em três volumes com o título Estudos Filosóficos.

                                      Convicto das propostas espíritas, transformado interiormente pela luz do conhecimento superior, declara-se publicamente espírita em 16 de agosto de 1886, num discurso proferido na presença de 1500 pessoas, realizado no Salão da Guarda Velha, no Rio de Janeiro.

                                      Preside a FEB, Federação Espírita Brasileira, por duas vezes, em 1889 e 1895, instituindo no seu primeiro mandato, o estudo sistemático do Livro dos Espíritos, na sede da instituição.

                                      As qualidades morais e a busca pelo bem comum presentes em Bezerra de Menezes possuem raízes espirituais, advindas de suas experiências pretéritas, sem quaisquer dúvidas.               

                                      No romance Ressurreição e Vida, ditado pelo espírito Leon Tolstoi, à inesquecível médium Yvonne do Amaral Pereira, o autor espiritual narra seu encontro com Zaqueu, o publicano da parábola evangélica, no plano espiritual.

                                      Leon Tolstoi confidenciou à médium, que Zaqueu reencarnara com Bezerra de Menezes, sendo tal informação confirmada pela médium, posteriormente. Analisando as vidas de Zaqueu/Bezerra de Menezes encontraremos diversos pontos comuns a ambos, notadamente, coragem para mudar, e desapego aos bens materiais.

                                      No dia 11 de abril de 1900 vitimado por uma congestão cerebral, retorna à pátria espiritual, Bezerra de Menezes, que por sua brilhante inteligência a serviço do bem, e seu generoso coração, recebeu os epítetos de KARDEC BRASILEIRO, e MÉDICO DOS POBRES.

                                      Nossas homenagens e reverências a esse espírito, que continua operoso, ativo e atuante, no mundo espiritual, no trabalho incessante de auxiliar a essa humanidade, da qual fazemos parte, para que um dia possa a Terra se tornar um planeta onde o bem suplante, definitivamente, o mal.

                                     

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